Fartura completa 134 anos de emancipação político-administrativa, mas, para muitos cidadãos, a data não traz motivos para celebração. Pelo contrário, a insatisfação cresce diante de uma série de problemas que comprometem a qualidade de vida da população e levantam questionamentos sobre a atual gestão municipal.
Nas redes sociais, os moradores denunciam a falta de medicamentos na Farmácia Municipal, o cancelamento de medicamentos e alimentos especiais para crianças e a negligência na realização de exames médicos, deixando a saúde pública em situação preocupante.
Além disso, produtores e moradores da zona rural reclamam das péssimas condições das estradas, que seguem sem manutenção adequada. Já na área urbana, o descaso com a limpeza é evidente: mato alto nas entradas da cidade, calçadas sujas, restos de construção e acúmulo de terra e areia dificultam a mobilidade e dão um aspecto de abandono ao município.
Outro ponto de indignação são as promessas não cumpridas por vereadores e pelo próprio prefeito. No início da gestão, alegou-se que não havia maquinário em condições de uso e que tudo estava sucateado. No entanto, esses mesmos equipamentos reapareceram em funcionamento, sendo utilizados para atender grandes empresários da cidade, gerando desconfiança entre os munícipes.
E os escândalos não param por aí. O prefeito foi denunciado por suposto uso indevido do carro oficial para fins particulares, incluindo visitas a obras particulares no Haras Piedade. O caso foi encaminhado à Câmara Municipal e ao Ministério Público, mas a conivência de aliados da administração levanta suspeitas sobre possíveis omissões e favorecimentos dentro do governo.
Licitações também foram alvo de denúncias, chegando ao Tribunal de Contas, que solicitou esclarecimentos do prefeito e da equipe responsável pelos pregões municipais.
E, em meio a tantos problemas administrativos, a ineficiência do serviço público ficou evidente em um caso trágico. Recentemente, um grave acidente resultou na morte de uma professora. Testemunhas afirmam que acionaram as autoridades imediatamente, mas a Polícia Militar levou quase uma hora para chegar ao local. O SAMU de Fartura, mesmo com uma ambulância nova, não compareceu à ocorrência, sendo necessário o deslocamento do Corpo de Bombeiros de Piraju para atender a vítima.
Diante desse cenário, a pergunta que ecoa entre os cidadãos é: Fartura tem o que comemorar? Enquanto promessas vazias e descasos prevalecerem, a resposta parece ser um amargo “não”.