O feminismo é um movimento social que luta pela igualdade de gênero, justiça reprodutiva, combate à violência contra as mulheres e empoderamento feminino. Uma das bandeiras mais relevantes nos tempos atuais, o movimento feminista na cidade de Fartura, no entanto, tem se tornado cada vez mais seletivo.
Antes proeminente e sendo utilizado como bandeira de um grupo político da cidade, hoje, as adeptas do movimento aparentemente passaram a escolher quais mulheres merecem a sua proteção, revolta e militância. Se o suposto agressor for opositor ao seu grupo político, a militância atua ativamente no tribunal do júri da internet, em denúncias a órgãos fiscalizadores e registros de boletins de ocorrência. Porém, se o suposto agressor for do mesmo grupo político das adeptas ao feminismo, o silêncio é absoluto!
Desde o início deste ano, esta Redação vem recebendo relatos sobre mulheres que estão sendo perseguidas politicamente pela atual administração municipal. Em um ato de covardia, logo no primeiro dia do mandato do atual prefeito, Marcão do Haras, pelo menos cinco funcionárias de carreira da Prefeitura de Fartura foram descartadas de suas funções, por meio de mensagens enviadas pelo aplicativo WhatsApp, por mera perseguição política. Sim, perseguição política! Os mesmos atos que o prefeito Marcão, em sua campanha eleitoral e, posteriormente, em entrevistas para veículos de comunicação, disse que não praticaria.
Outro relato recebido por esta Redação diz respeito a uma ocasião em que um funcionário de confiança do alto escalão do governo Marcão do Haras teria enviado um “recado” para uma funcionária (mulher), através de conversa via WhatsApp com outro funcionário de confiança, dizendo, em tom ameaçador e intimidatório, no intuito de calar a servidora que se manifestou a favor da administração anterior: “Não se esqueça que eu sei que você ainda está em estágio probatório!”
Casos de secretários e chefes de setores intimidando e destratando funcionárias também foram relatados. Um dos secretários de Marcão teria destratado uma funcionária na segunda semana de mandato, com gritos e ordens grosseiras na frente de outros funcionários, o que a fez cair em pranto. Já uma chefe de setor — cargo de confiança do prefeito (isso mesmo, uma mulher) — teria destratado uma funcionária que lhe é subordinada por ela ter questionado sua conduta, alegando que não estaria cumprindo as Leis Municipais. O episódio culminou em uma discussão fervorosa dentro do Paço Municipal (Prefeitura), que, se não fosse a intervenção de terceiros, poderia ter terminado com a chefe agredindo fisicamente a funcionária.
Dentro do Paço Municipal, fontes relatam que o clima é de hostilidade e vingança contra funcionários que se posicionaram contra Marcão do Haras durante a campanha eleitoral. Desta vez, não só com mulheres, mas também com homens que se opuseram à eleição de Marcão. Diariamente, ordens são emitidas por parte do prefeito e de seus secretários para que funcionários sejam trocados de setores, sem motivo aparente — a não ser a motivação política —, e para que sejam cortadas gratificações e/ou outros tipos de bonificações de funcionários que as recebiam há anos.
Como se não bastassem esses relatos, agora, uma munícipe foi, supostamente, chamada de “vagabunda” por um secretário do governo Marcão do Haras dentro de um órgão público, demonstrando total despreparo para o exercício de um cargo de gestão e para lidar com a população.
O que se nota é um silêncio absoluto por parte daquelas que, um dia, se colocaram na linha de frente como defensoras e protetoras das mulheres vítimas de qualquer tipo de agressão física ou psicológica. A hipocrisia se tornou a marca registrada do feminismo seletivo, representado por mulheres que, hoje, se omitem e se acovardam para evitar o cancelamento daqueles que compõem o seu mesmo grupo político-ideológico.
O mesmo silêncio é observado por parte da Secretaria Municipal da Mulher, que foi alvo constante dos ataques direcionados à administração anterior pela suposta inércia no trabalho de defensoria dos direitos das mulheres e que, agora, se mantém indiferente a todas essas ocorrências.
Inclusive, na gestão anterior, o trabalho da Secretaria da Mulher foi colocado em xeque em várias ocasiões pelos vereadores que antes eram oposição e hoje são situação — e que também permanecem em silêncio e inertes diante de todas as polêmicas desta administração e da displicência do principal órgão municipal de defesa das mulheres.
Resta saber até onde vai a hipocrisia e até onde a conduta desses agressores deverá chegar para que alguma providência seja tomada. Hoje, a realidade é que o feminismo seletivo escolhe QUEM protege e DE QUEM se protege. Isso, até o próximo pleito eleitoral, quando a bandeira da hipocrisia será levantada novamente para manipular a massa de manobra em favor do grupo que hoje comanda a cidade.