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Papa Francisco morre aos 88 anos e deixa legado de fé, justiça social e cuidado com os mais pobres

Pontífice argentino faleceu nesta segunda-feira (21), após semanas de recuperação em sua residência no Vaticano; líderes mundiais lamentam a perda do Papa que marcou a Igreja com simplicidade, coragem e compromisso com os vulneráveis.

Cidade do Vaticano – O mundo amanheceu em luto nesta segunda-feira (21) com a notícia da morte do Papa Francisco, anunciada pelo cardeal Kevin Farrell, diretamente da Capela da Casa Santa Marta, residência oficial do pontífice no Vaticano. Jorge Mario Bergoglio, o Papa que “veio do fim do mundo”, faleceu às 7h35 (horário local), aos 88 anos. Ele se recuperava de uma longa internação por complicações respiratórias.

“Às 7h35 desta manhã, o Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai”, declarou Farrell. “Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e de Sua Igreja… especialmente em favor dos mais pobres e marginalizados.”

O pontífice havia sido hospitalizado entre os dias 14 de fevereiro e 23 de março para tratar uma bronquite e uma infecção polimicrobiana. Desde então, encontrava-se em repouso na Casa Santa Marta, com retomada gradual das atividades.

Eleito em 13 de março de 2013, Francisco foi o 266º Papa da Igreja Católica, o primeiro latino-americano e também o primeiro da Companhia de Jesus a ocupar o trono de Pedro. Escolheu o nome inspirado em São Francisco de Assis, como sinal de sua prioridade aos pobres, à simplicidade e à paz — marcas que imprimiram seu pontificado ao longo de 12 anos.

Um Papa do povo

Filho de imigrantes italianos, Bergoglio nasceu em Buenos Aires em 17 de dezembro de 1936. Foi ordenado sacerdote em 1969 e nomeado bispo em 1992. Tornou-se arcebispo de Buenos Aires em 1997 e cardeal em 2001, pelas mãos de João Paulo II. Em sua eleição como Papa, surpreendeu o mundo ao pedir “que rezassem por ele” antes de dar a bênção à multidão na Praça São Pedro.

Francisco conduziu a Igreja com ênfase em valores como misericórdia, solidariedade e justiça social. Sua primeira grande encíclica, Laudato si’ (2015), reforçou o compromisso ecológico da Igreja e foi seguida, em 2023, pela exortação apostólica Laudate Deum, em resposta à crise climática global.

Também são marcos de seu pontificado a reforma da Cúria Romana, culminada em 2022 com a nova constituição apostólica Praedicate Evangelium, e os esforços contínuos de aproximação com os jovens, as periferias e outras religiões.

Legado espiritual e doutrinário

Francisco deixa um robusto legado magisterial. Durante seu pontificado, publicou quatro encíclicas, sete exortações apostólicas, 75 Motu Proprio, 39 constituições apostólicas e 91 cartas apostólicas. Em suas audiências semanais, desenvolveu reflexões sobre temas como os sacramentos, a oração, a esperança, a misericórdia, a evangelização e o discernimento espiritual.

O mundo reage: condolências e homenagens

Líderes e chefes de Estado ao redor do mundo expressaram pesar pela morte do Papa.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, escreveu: “Inspirou milhões de pessoas, muito além da Igreja Católica, com sua humildade e puro amor pelos menos afortunados”.

Na Itália, o presidente Sergio Mattarella destacou o “grave vazio” deixado por Francisco e a importância de seu ensinamento. Já a primeira-ministra Giorgia Meloni afirmou ter tido “o privilégio de desfrutar da sua amizade, conselhos e ensinamentos”, e lembrou a histórica participação do Papa no G7.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, lamentou a perda e exaltou seu “profundo legado” de compromisso com os mais vulneráveis. No Reino Unido, o rei Charles III relembrou a compaixão do Papa e seu esforço por unidade e esperança.

Do Leste Europeu, mensagens vieram também da Ucrânia, onde o presidente Volodymyr Zelensky destacou sua defesa da paz, e da Rússia, onde Vladimir Putin homenageou Francisco como “sábio religioso e estadista”, com papel decisivo no diálogo entre Moscou e o Vaticano.

Na Argentina, país natal do Papa, o presidente Javier Milei afirmou que o encontro com Francisco foi “uma verdadeira honra”. Já nos Estados Unidos, o vice-presidente JD Vance rememorou emocionado a oração de Francisco durante a pandemia, em março de 2020.

O presidente de Israel, Isaac Herzog, lembrou o Papa como “homem de fé e paixão sem limites”. Na Índia, Narendra Modi exaltou seu compromisso com o “desenvolvimento inclusivo”. Na Austrália, o primeiro-ministro Anthony Albanese ordenou luto oficial, chamando-o de “fonte de inspiração” para todos.

A despedida

Nos próximos dias, o corpo do Papa Francisco será velado na Basílica de São Pedro, e um grande número de fiéis é esperado em Roma para prestar suas homenagens. A data do funeral e os ritos serão definidos pelo Colégio dos Cardeais, que também iniciará os preparativos para o conclave que elegerá o novo pontífice.

Francisco deixa um marco profundo na história da Igreja Católica e na consciência do mundo contemporâneo — com um magistério centrado na ternura, na escuta e no Evangelho vivido. Sua voz, muitas vezes solitária nas grandes causas da humanidade, continuará ecoando.

A Igreja de Luto – Sede Vacante

Anúncio do Camerlengo Farrell da Casa Santa Marta:

Queridos irmãos e irmãs, com profunda tristeza devo anunciar a morte de nosso Santo Padre Francisco. Às 7h35 desta manhã, o Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e de Sua Igreja.

Ele nos ensinou a viver os valores do Evangelho com fidelidade, coragem e amor universal, especialmente em favor dos mais pobres e marginalizados.

Com imensa gratidão por seu exemplo como verdadeiro discípulo do Senhor Jesus, recomendamos a alma do Papa Francisco ao infinito amor misericordioso do Deus Trino.