Prefeitura de Fartura abastece veículos de luxo com verba da Saúde, indicam registros oficiais
Registros de empenhos de despesa disponíveis no Portal da Transparência indicam que a Prefeitura de Fartura, no interior de São Paulo, utilizou recursos da Secretaria Municipal de Saúde para abastecer veículos de alto padrão. Os documentos são referentes aos meses de janeiro e fevereiro de 2025.
Entre os casos listados, está o abastecimento de uma motocicleta Harley-Davidson, preta, placa EXR-2*26, conforme o empenho nº 530, datado de 24 de janeiro de 2025. Segundo o registro, os recursos utilizados são federais, destinados especificamente ao Setor de Vigilância Epidemiológica do município. A Harley-Davidson é uma marca de motocicletas de grande porte, com modelos cujo valor de mercado pode ultrapassar os R$ 200 mil.


No mesmo dia, o empenho nº 535 registra o abastecimento de um sedan Honda City, branco, placa BPY-0*19, com recursos próprios da Secretaria Municipal de Saúde. O modelo é considerado um veículo compacto de médio porte, fabricado pela montadora japonesa Honda, e pode atingir valores em torno de R$ 150 mil.


Já no dia 4 de fevereiro de 2025, o empenho nº 1008 aponta o abastecimento de um Jeep Compass Longitude, prata, placa GAC-2*75. O utilitário esportivo, também abastecido com recursos da Saúde municipal, está entre os modelos mais caros da linha Compass, podendo ultrapassar R$ 200 mil na versão mais recente.


Segundo consulta pública, nenhum dos veículos mencionados integra a frota oficial da Prefeitura de Fartura.
O uso de verbas públicas para abastecimento de veículos não pertencentes à administração pública pode configurar irregularidade administrativa. Especialistas apontam que, caso confirmada, a prática pode ser enquadrada como improbidade administrativa, especialmente quando envolve recursos federais vinculados a finalidades específicas, como é o caso do setor de Vigilância Epidemiológica.
A situação ocorre em meio a reclamações recorrentes da população sobre a falta de medicamentos e exames básicos na rede pública municipal, além de críticas sobre a precariedade do transporte de pacientes para outras cidades, mesmo após a contratação de um ônibus terceirizado ao custo de aproximadamente R$ 500 mil.
A Prefeitura de Fartura ainda não se manifestou oficialmente sobre os registros encontrados no Portal da Transparência.