O prefeito de Fartura, Marcão do Haras (PSD), exonerou nesta semana o secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Paulo César Corrêa Custódio, conhecido como Paulo Surubi, após uma série de denúncias envolvendo sua conduta administrativa e comportamental. A exoneração foi oficializada por meio de portaria publicada no Diário Oficial, a pedido do próprio ex-secretário.
A decisão ocorre em meio a dois episódios polêmicos: uma denúncia de agressão verbal contra uma moradora do município e a retirada irregular de sucata pública das dependências da Chácara Municipal, sede da pasta comandada por Surubi.
Caso de agressão verbal
Segundo relatos obtidos pela reportagem, o ex-secretário teria se envolvido em uma discussão com uma cidadã beneficiária de programas de assistência, que procurava a secretaria em busca de ração para animais domésticos — prática realizada por gestões anteriores. Durante o conflito, ocorrido na sede da secretaria, Surubi teria se exaltado e proferido ofensas, supostamente chamando a munícipe de “vagabunda”.
Testemunhas afirmam que a discussão foi presenciada por servidores e chegou a ser ouvida da via pública. A Prefeitura de Fartura ainda não se pronunciou oficialmente sobre o episódio. Surubi também não respondeu aos pedidos da imprensa para apresentar sua versão dos fatos.
Retirada irregular de sucata pública
A exoneração, no entanto, teria sido motivada principalmente por denúncias envolvendo a retirada de sucata da Chácara Municipal sem o devido processo legal. A operação foi autorizada por Paulo Surubi e envolveu o empresário Luiz Sasho, conhecido como “Japonês do Ferro-Velho”, aliado político do prefeito durante a campanha eleitoral de 2024.
De acordo com apurações, um caminhão da empresa Rei do Ferro, de Carlópolis (PR), recolheu cerca de 1.500 kg de sucata da sede da secretaria. Posteriormente, uma nova carga de materiais foi entregue no antigo Matadouro Municipal, com o objetivo de recompor o volume retirado, em uma tentativa de camuflar a operação. A substituição do material foi confirmada pelo proprietário da empresa paranaense, que afirmou que a nova carga, prensada e coberta com lonas pretas, era distinta da original.
Suspeita de favorecimento político
A proximidade entre Luiz Sasho e o grupo político de Marcão do Haras também levantou suspeitas de favorecimento. Durante a campanha eleitoral, o empresário teria coordenado eventos, churrascos e distribuição de bebidas em apoio à coligação “Trabalho e Respeito pelo Povo”, encabeçada por Marcão e sua vice, Célia do Zé. A suspeita é de que a entrega da sucata tenha sido uma retribuição política — o que, se confirmado, pode configurar ato de improbidade administrativa.
Gravações de câmeras de segurança, obtidas pela reportagem, mostram o caminhão de Sasho entrando e saindo da Chácara Municipal carregado com materiais públicos. A operação ocorreu sem licitação ou avaliação prévia, descumprindo normas da administração pública.
Admissão de responsabilidade e tentativa de acobertamento
Fontes da Câmara Municipal relataram que Surubi admitiu ter autorizado a retirada da sucata durante reunião convocada pelos vereadores Anderson Lima (PSD) e Professor Henrique (PT). O ex-secretário teria assumido integral responsabilidade, numa tentativa de isentar o prefeito de envolvimento direto.
Uma reunião reservada também foi realizada entre Surubi, Sasho e os advogados do governo municipal, Victor Salles (chefe de gabinete) e Frederico (consultor jurídico), para tratar da crise e buscar alternativas para amenizar as consequências legais do caso.
Falta de documentos e investigação do MP
Segundo o proprietário da Rei do Ferro, não houve qualquer documentação apresentada por Sasho para justificar a origem do material. A ausência de nota fiscal, recibos ou autorização oficial reforça a gravidade da denúncia e pode configurar crimes como peculato, lesão ao erário e enriquecimento ilícito de terceiro.
O caso foi denunciado ao Ministério Público de Fartura, que poderá investigar as responsabilidades do prefeito, do ex-secretário e do empresário. O denunciante também solicitou o encaminhamento do caso à Câmara de Vereadores para apuração legislativa.
Reações e expectativa por posicionamento oficial
Após completar 100 dias de gestão, o prefeito Marcão do Haras enfrenta o primeiro grande escândalo de seu mandato. A expectativa agora recai sobre a sessão ordinária da Câmara Municipal, que acontece na próxima segunda-feira (7), e sobre uma possível manifestação do prefeito durante live agendada para esta quarta-feira (1º), às 18h.
A sociedade civil e membros da oposição cobram do Executivo transparência, apuração rigorosa e, no mínimo, a abertura de sindicância ou processo administrativo disciplinar para investigar os fatos. Até o momento, nenhuma dessas medidas foi adotada.
O jornalista Luiz Rogério Alvarenga, que acompanha o caso, reforça o compromisso com a verdade e coloca a reportagem à disposição das partes envolvidas para novos esclarecimentos.
Publicação no Diário oficial do Município de Fartura
