A tão aguardada investigação sobre as supostas irregularidades envolvendo a venda de sucatas da Prefeitura de Fartura foi esvaziada antes mesmo de começar. O vereador Luiz Timburi (PSDB), um dos signatários do requerimento para abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), retirou sua assinatura momentos antes da sessão desta segunda-feira (6), causando revolta entre seus eleitores e abrindo espaço para críticas dentro e fora do Legislativo.
O requerimento havia sido protocolado pelos vereadores do PSDB João Buranello, Juliano Damásio e pelo próprio Timburi, com o objetivo de apurar possíveis crimes contra a administração e o patrimônio público, bem como atos de improbidade administrativa com prejuízo ao erário. A denúncia anônima, recebida pela Ouvidoria da Câmara no dia 14 de abril, relata a suposta comercialização irregular, por parte de um particular, de bens públicos considerados inservíveis – as chamadas sucatas da Chácara Municipal.
A pauta da sessão já previa a leitura do requerimento, que mobilizou os bastidores políticos durante toda a semana. No entanto, em um movimento inesperado e amplamente criticado, Timburi recuou, protocolando a retirada de sua assinatura antes do início da sessão. O presidente da Câmara, Bruno Guimarães, não teve alternativa a não ser arquivar o pedido, frustrando a tentativa de instaurar a CPI.
Nos bastidores, a versão que ganha força é de que o prefeito Marcão do Haras teria atuado para barrar a investigação e teria convencido Timburi a abandonar o pedido. A manobra enfraquece a resposta institucional às denúncias e levanta dúvidas sobre a independência e o compromisso do vereador com a transparência pública.
A atitude de Timburi tem sido classificada como “covarde” por aliados e eleitores nas redes sociais, que cobravam um posicionamento firme diante da gravidade das denúncias. Para muitos, o vereador agiu contra os interesses da população e em favor do silêncio conveniente.
Enquanto isso, o vereador Sildemar Fabro, mesmo sem integrar formalmente o grupo que propôs a CPI, protocolou uma série de requerimentos exigindo esclarecimentos sobre o destino das sucatas. Ele solicitou a apresentação de documentos como termos de notificação da Vigilância Epidemiológica, relatórios de leilões e doações de bens públicos desde janeiro de 2024, além da publicação oficial desses dados.
O recuo de Timburi gerou repercussão imediata, enfraqueceu o PSDB local e lançou dúvidas sobre sua permanência no cargo. A expectativa agora gira em torno da reação dos demais vereadores e do próprio partido, que poderá abrir processo disciplinar contra o parlamentar.
Em meio à indignação popular, a pergunta que fica é: a quem serve o silêncio de Timburi?