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Caso Tucunaré: vereadores ouvem mecânicos e podem abrir CPI para apurar atuação da empresa na Garagem Municipal de Fartura

Mecânicos da empresa Alto Giro, atual prestadora de serviços à Garagem Municipal de Fartura, relataram a vereadores que a Retífica Tucunaré atuou no local durante o período investigado e que havia ordens diretas do prefeito Marcão do Haras (PSD) para a execução dos serviços, inclusive reparos que teriam sido ineficazes.

Os parlamentares João Boranello (PSDB), Bruno Guazzelli (PSD), Anderson Lima (PSD), Henrique Lucarelli (PT), Sildemar Fabro (PL), Léo Maia (PSB) e Juliano Damásio (PSDB) estiveram no local e ouviram os relatos dos funcionários. Segundo um dos mecânicos, “todos os dias de manhã o Marcão passava aqui pra ver como estavam os andamentos dos consertos”. Informações de que o vereador Sildemar teria gravado a reunião com os mecânicos, para ter provas e usá-las na possível CPI contra a atual administração.

Após a visita, os vereadores teriam se reunido na Câmara Municipal para discutir as informações obtidas e avaliar os próximos passos. De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, “o vereador Anderson Lima teria falado que após os depoimentos, certamente irão abrir a CPI, até mesmo, porque os dois mecânicos, Coruja e Frank se comprometeram e irão denunciar como testemunhas”.

Entenda o caso

A empresa Retífica Tucunaré é alvo de denúncias por supostamente ter prestado serviços à Prefeitura de Fartura sem licitação válida, realizando reparos em veículos da frota municipal por mais de dois meses. As acusações envolvem possíveis irregularidades administrativas e foram protocoladas junto ao Ministério Público e à Câmara Municipal.

Relatos de servidores da Garagem Municipal indicam que a empresa atuou na manutenção de ônibus escolares e máquinas pesadas, com ordens de serviço assinadas por um servidor comissionado. Um dos denunciantes afirmou: “Seu Márcio condenava os veículos e a Tucunaré vinha com uma ordem de serviço assinada por ele mesmo para arrumar… fizeram isso todos os dias por mais de 60 dias…”.

As denúncias também apontam que o vereador Luiz Timburi (PSDB) teria conhecimento das atividades da empresa. Segundo um dos relatos, “Timburi estava ajudando o seu Márcio quando precisava levar veículo para a Tucunaré em Taguaí ou Assis para consertar e por isso sabia do rolo… ele que faz o corre pro seu Márcio… ele que leva veículos para arrumar fora da cidade quando precisa…”.

A mesma fonte afirma que a empresa estaria expandindo sua atuação: “Tucunaré está alugando uma oficina em Taguaí para dar suporte até sair licitação…”. Ainda de acordo com o denunciante, o esquema seria coordenado por um servidor de confiança: “…quem comanda esse esquema todo é o seu Márcio, então ele só coloca pra essas coisas quem está na folha dele…”.

Outro parlamentar citado é o presidente da Câmara, Bruno Guazzelli (PSD), que, segundo o denunciante, teria visitado a Garagem Municipal em companhia de representantes da empresa: “…Bruno já esteve com a Tucunaré na garagem vendo patrol… pedindo prioridade para arrumar, depois disso foi fazer um vídeo na estrada andando na mesma…”. Ainda segundo a denúncia, a manutenção não foi eficaz: “…no dia seguinte a máquina voltou quebrada de novo…”.

Abertura de CPI e silêncio de vereadores

As denúncias levantaram questionamentos sobre a atuação dos vereadores como agentes fiscalizadores. Parte dos parlamentares já manifestou apoio à abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as contratações da empresa, mas o vereador Luiz Timburi, citado diretamente nos relatos, ainda não apresentou uma posição clara sobre o caso. Inicialmente, ele assinou o requerimento para abertura da CPI, mas depois protocolou um pedido de retirada de sua assinatura.

A ausência de posicionamento por parte de alguns vereadores tem gerado críticas de moradores e lideranças locais, que cobram maior transparência e apuração dos fatos. A legislação brasileira prevê sanções para atos de improbidade administrativa, inclusive para omissões que comprometam os princípios da moralidade e da legalidade.

A Constituição Federal, no artigo 55, § 2º, também prevê a possibilidade de perda de mandato parlamentar em casos de quebra de decoro.

Próximos passos

O caso já está sob análise do Ministério Público, e eventuais desdobramentos legislativos, como a instalação da CPI, dependem da mobilização dos vereadores. A apuração dos fatos segue em andamento.

O portal Notícias da Divisa permanece acompanhando o caso e reitera que todos os citados seguem com espaço aberto para manifestação.