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Drama e indignação: mãe de Eloá Beatriz denuncia transferência sem consentimento e abandono do sistema de saúde

A dor da espera e a frustração diante da negligência ganham voz na história de Eloá Beatriz, uma menina internada há quase quatro meses, cuja mãe desabafou publicamente sobre o que classifica como um ato de desrespeito e falta de humanidade. Em um vídeo emocionado, a mãe de Eloá relatou ter sido surpreendida com a notícia da transferência da filha para outro hospital — sem seu conhecimento, autorização ou concordância.

Era pra ela estar indo pra casa hoje”, começa o relato da mãe, visivelmente abalada. Após semanas de luta contra cinco infecções, das quais venceu duas consideradas perigosas, Eloá havia finalmente recebido o aparelho necessário para continuidade do tratamento em casa. A expectativa da família era que o tão aguardado momento da alta hospitalar chegasse. No entanto, essa esperança foi abruptamente frustrada.

Segundo a mãe, a decisão de transferir Eloá para o Hospital de Fartura foi tomada em um suposto “acordo” firmado sem seu consentimento. “Eu sou mãe da Eloá. Eu sou responsável por ela. E ninguém me consultou”, afirmou. O que era para ser um alívio, transformou-se em indignação ao perceber que o Sistema de Saúde não havia preparado, em tempo hábil, a equipe de atendimento domiciliar necessária para acompanhar a criança.

Apesar de o pedido do aparelho ter sido feito desde maio, ele só foi instalado na semana passada. A equipe de Fartura, que deveria receber treinamento para operar o equipamento, só apareceu na segunda-feira seguinte — e, ainda assim, tratava-se de uma equipe temporária, improvisada, sem vínculo com o Posto de Saúde responsável pelo atendimento domiciliar contínuo de Eloá. Enquanto acompanha a filha em Bauru, a mãe de Eloá, senhora Greici Oliveira, recebeu treinamento sobre como manusear o aparelho respiratório, para utilizá-lo quando necessário.

A denúncia vai além da burocracia. Segundo a mãe, uma das responsáveis pelo processo chegou a divulgar informações falsas, como o fato de que ela teria visto o aparelho e questionado a cor — algo impossível, segundo ela, pois o equipamento sequer estava disponível naquele momento. “Fui bloqueada no WhatsApp por essa pessoa, simplesmente porque questionei o que foi postado sobre a minha filha”, afirmou.

O episódio revela, mais uma vez, as falhas do Sistema Público de Saúde, que, mesmo diante de casos delicados como o de Eloá, parece agir com desorganização, falta de comunicação e, principalmente, ausência de empatia. A mãe, que acompanha a filha desde o início da internação, denuncia ainda o sofrimento físico e emocional vivido diariamente: “Já vai fazer quatro meses que estou dormindo em cadeira. Agora vou ter que dormir numa cadeira de plástico em outra cidade?”, questiona, entre lágrimas.

A indignação da família é um grito por justiça e respeito. Eloá, que sobreviveu a infecções e se preparava para voltar ao lar, vê sua recuperação ser adiada por decisões que desconsideram o bem-estar e os direitos da criança e de sua responsável legal.

O caso de Eloá Beatriz é mais do que um episódio isolado — é um retrato doloroso da negligência institucional que tantas famílias enfrentam em silêncio. Desta vez, porém, a mãe se recusa a calar.

“Estou muito triste. Muito chateada. Não tenho nem palavras mais.” Eloá continua internada. E a luta da mãe, agora pública, segue à espera de respostas.