Juros seguem no maior patamar em quase duas décadas e mantêm crédito elevado no país
O Banco Central (BC) decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 15% ao ano. A decisão foi tomada na última quarta-feira (29) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e já era amplamente esperada pelo mercado financeiro.
Esta é a quinta reunião consecutiva em que os juros permanecem no mesmo nível. A Selic está no maior patamar desde julho de 2006, quando alcançou 15,25% ao ano. No comunicado oficial, o Copom sinalizou que poderá iniciar um ciclo de redução dos juros na próxima reunião, prevista para março, desde que a inflação continue sob controle e o cenário econômico não apresente novas pressões.
Segundo o Banco Central, a manutenção da política monetária restritiva busca assegurar a convergência da inflação para a meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Atualmente, a meta contínua de inflação é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
A decisão ocorreu com o Copom operando com dois cargos vagos, após o término do mandato de diretores no fim de 2025. As novas indicações devem ser encaminhadas ao Senado pelo presidente da República após o retorno do Congresso Nacional, em fevereiro.
A taxa Selic vinha em trajetória de alta desde setembro de 2024, após ter atingido 10,5% ao ano em maio daquele ano. Em junho de 2025, alcançou 15% ao ano, nível mantido desde então.
Inflação e perspectivas
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para o controle da inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em 2025, a inflação oficial ficou em 4,26%, o menor resultado desde 2018, permanecendo dentro do teto da meta.
Para 2026, o Banco Central projeta inflação de 3,5%, segundo o último Relatório de Política Monetária. Já o mercado financeiro, de acordo com o boletim Focus, estima IPCA de 4% ao fim do ano, ligeiramente acima do centro da meta.
Crédito caro e impacto econômico
Com a Selic elevada, o crédito permanece mais caro para consumidores e empresas, o que tende a desacelerar o consumo e os investimentos. Por outro lado, a política de juros altos contribui para conter a pressão inflacionária.
O Banco Central projeta crescimento de 1,6% para a economia brasileira em 2026. Já o mercado financeiro prevê expansão um pouco maior, de 1,8%, segundo o boletim Focus.
A taxa Selic serve de referência para todas as demais taxas de juros da economia e influencia diretamente financiamentos, empréstimos e investimentos. Enquanto permanecer em níveis elevados, o custo do crédito seguirá sendo um dos principais desafios para a atividade econômica no país.
Fonte: Agência Brasil