Autoridades de saúde monitoram cenário internacional e descartam, por ora, ameaça imediata ao país
O recente surto do vírus Nipah na Índia reacendeu o alerta de autoridades sanitárias internacionais e voltou a levantar questionamentos sobre o potencial de disseminação da doença para outros países. Apesar da gravidade associada ao patógeno, especialistas e órgãos de saúde avaliam que o risco de chegada e estabelecimento do vírus no Brasil é considerado baixo no momento.
Identificado no fim da década de 1990, o vírus Nipah é um patógeno de origem animal com alto índice de letalidade, que pode variar entre 45% e 75%. A infecção pode causar quadros graves, como doenças respiratórias agudas e encefalite, inflamação cerebral que pode evoluir para coma e morte. Por esse potencial, o vírus integra a lista de agentes prioritários da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Atualmente, a Índia enfrenta novos registros da doença no estado de Bengala Ocidental, fora da região onde os casos costumam ser mais frequentes. Cerca de 110 pessoas foram colocadas em quarentena após contato com pacientes confirmados, o que levou países vizinhos a reforçarem medidas de vigilância em aeroportos e pontos de entrada internacional. Na Tailândia, por exemplo, a triagem de passageiros provenientes da área afetada foi intensificada, sem a identificação de casos suspeitos até o momento.
Especialistas apontam que o principal fator que reduz o risco para o Brasil é de ordem ecológica. Os morcegos frugívoros do gênero Pteropus, considerados os principais reservatórios naturais do vírus, não existem nas Américas. Sem esse hospedeiro, a manutenção de um ciclo de transmissão sustentado no país torna-se improvável.
A hipótese mais plausível de introdução do vírus seria por meio de viagens internacionais, já que há registros limitados de transmissão entre pessoas, especialmente em ambientes de atendimento à saúde. Ainda assim, não há histórico de disseminação contínua do Nipah fora das áreas endêmicas nem registros de casos importados no Brasil.
O Ministério da Saúde informou que mantém protocolos de vigilância para agentes altamente patogênicos e acompanha a situação em articulação com instituições de referência, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Evandro Chagas. A avaliação técnica é de que o cenário exige atenção e monitoramento, mas não justifica medidas de alarme.
O vírus Nipah é uma doença zoonótica, transmitida principalmente pelo contato com morcegos frugívoros e porcos, além do consumo de alimentos contaminados. A transmissão também pode ocorrer por contato direto com pessoas infectadas. Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos e dor de garganta. Em casos mais graves, podem surgir pneumonia severa, convulsões e encefalite. O período de incubação varia, em geral, de quatro a 14 dias, podendo chegar a até 45 dias.
O consenso entre pesquisadores é de que o vírus representa um risco potencial em escala global, mas, nas condições atuais, não configura ameaça imediata ao Brasil. A recomendação segue sendo a manutenção da vigilância epidemiológica, a cooperação internacional e a capacidade de resposta rápida, sem gerar pânico na população.
Fonte: Agência Brasil