Pai e filho menor de idade em tratamento são deixados para trás após consulta e caso reacende críticas ao transporte municipal
Um episódio envolvendo o transporte de pacientes da rede pública de Fartura evidenciou falhas consideradas graves na organização do serviço municipal de saúde. Na noite de segunda-feira (27), um pai e seu filho, de apenas 5 anos, foram esquecidos após atendimento médico em Botucatu, em uma unidade de referência regional.
De acordo com relato da mãe da criança, Andreia Alves, o menino realiza acompanhamento contínuo desde o nascimento, em razão de um quadro de prematuridade extrema. O tratamento exige deslocamentos frequentes até o Hospital das Clínicas da Unesp, no distrito de Rubião Júnior.
Segundo a família, pai e filho deixaram Fartura por volta das 9h20 e chegaram ao hospital às 11h. O atendimento ocorreu às 14h e foi finalizado rapidamente, permitindo a liberação para retorno cerca de 30 minutos depois. No entanto, o veículo responsável pelo transporte deixou o local sem realizar o embarque dos dois.
A falha só foi percebida quando o motorista já se encontrava na região de Avaré. Conforme a mãe, o condutor entrou em contato informando que acreditava que ambos já estavam no veículo e que não poderia retornar para buscá-los naquele momento.
A situação gerou apreensão e revolta, sobretudo por envolver uma criança em tratamento médico contínuo. Em manifestação nas redes sociais, a mãe descreveu o episódio como angustiante e cobrou providências das autoridades responsáveis.
Após a repercussão, uma responsável pelo setor de transporte entrou em contato com a família e providenciou um veículo para buscar pai e filho ainda na mesma noite.
O caso não é isolado. Dias antes, outro episódio já havia levantado questionamentos sobre o serviço, quando um paciente em tratamento de hemodiálise relatou ter sido transportado em condições inadequadas.
Mesmo com a resolução posterior do ocorrido, a sequência de falhas reforça críticas quanto à gestão, comunicação e responsabilidade no transporte de pacientes da rede pública de Fartura — um serviço essencial que atende, majoritariamente, pessoas em situação de vulnerabilidade e dependentes de cuidados contínuos.
