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Bastidores da reunião que discutiu retirada de R$ 1.210.000,00 de áreas essenciais para custear a FEMUS

Projeto prevê remanejamento de recursos da saúde, educação e assistência social enquanto servidores relatam falta de materiais, dificuldades operacionais e falhas de planejamento.

Na manhã desta terça-feira, 27 de maio, foi realizada na Câmara Municipal de Fartura uma reunião entre vereadores e secretários municipais para discutir o Projeto de Lei nº 29/2026, de autoria do prefeito Marcão do Haras. O encontro foi proposto pelo vereador governista Henrique Lucarelli, do PT.

O projeto prevê o remanejamento de R$ 1.210.000,00 para a realização da FEMUS, programada para acontecer entre os dias 10 e 12 de julho, no Recinto de Exposições do município. O evento contará com shows de Gilberto & Gilmar, Lourenço & Lourival e Guilherme & Santiago.

Segundo apurado pelo portal, a reunião teve forte articulação do governo municipal e foi interpretada por parte dos presentes como uma tentativa de construir apoio político ao projeto antes da votação. Secretários municipais foram convocados pelo prefeito Marcão do Haras para participar do encontro e defender a proposta diante dos vereadores contrários ou indecisos.

A reunião foi transmitida ao vivo pelo Facebook da Câmara e conduzida, em grande parte, pelo secretário de Turismo e Cultura, André Bertoni. Durante a apresentação, slides foram utilizados para sustentar o argumento de que os recursos destinados à FEMUS não causariam impacto nos setores afetados.

Entretanto, relatos obtidos pelo portal apontam para uma realidade bem diferente da apresentada durante a reunião.

Funcionários públicos, que pediram anonimato por receio de represálias, relataram dificuldades estruturais enfrentadas diariamente. Uma professora afirmou:

“Está faltando o básico para trabalhar. Tive que comprar EVA para fazer lembrancinhas do Dia das Mães. Até o sulfite está sendo contado nas escolas. Alegam problemas de licitação, mas estamos vivendo isso há mais de um ano.”

Outra profissional foi mais incisiva:

“Votei no vereador Henrique porque ele dizia defender a educação. Já votou a favor de um orçamento que retirou mais de R$ 5 milhões da área e agora aprova tudo o que o prefeito quer sem conhecer nossa realidade. É uma decepção.”

Também chamou atenção a ausência da secretária municipal de Educação, Renata Amaro. Segundo fontes ouvidas pelo portal, ela já teria comunicado internamente que deixará o cargo após o recesso de julho, retornando à sala de aula.

O cenário expõe um problema maior: falhas graves de planejamento orçamentário. A quantidade de projetos de suplementação, remanejamento de fichas e criação de novas despesas levanta questionamentos sobre a elaboração do orçamento municipal de 2026. Ainda assim, a maioria dos vereadores segue aprovando alterações orçamentárias sem maiores questionamentos públicos.

Na saúde, servidores também relatam dificuldades.

“Não podemos questionar as decisões. Hoje, um carro que antes era utilizado para atender a população está sendo usado pela secretária Regiane Medeiros, enquanto quem precisa do serviço fica sem atendimento adequado. Vários cargos seguem sendo preenchidos, mas, onde realmente precisa, ninguém escuta e muito menos atende”, afirmou um servidor.

Diante desse contexto, a pergunta que cresce entre servidores e moradores é simples: onde está o planejamento da administração municipal e qual espaço sobra para as prioridades da população?

Somente com shows, a FEMUS deve consumir mais de R$ 1.210.000,00. E essa conta sequer inclui estrutura, palco, som, segurança e demais custos operacionais.

Eventos são importantes para movimentar a economia e fortalecer a cultura local. O problema começa quando festas milionárias acontecem enquanto setores essenciais relatam falta de materiais básicos, dificuldades operacionais e sensação de abandono.

Enquanto a administração insiste em defender números, apresentações e justificativas técnicas, servidores e moradores seguem lidando com a realidade do dia a dia. E é justamente nessa distância entre discurso e prática que cresce a percepção de que existe mais esforço para construir narrativas do que para resolver problemas concretos da população.