A realização do FEMUS 2026, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Fartura, tem gerado uma série de críticas entre moradores. As principais reclamações envolvem o volume do som durante os shows, a baixa presença de público em parte da programação e o elevado investimento de recursos públicos no evento, enquanto outras áreas do município precisaram de suplementação orçamentária.
Barulho incomoda moradores
Uma das principais reclamações registradas durante o festival foi o volume do som das apresentações. Moradores de diferentes bairros relataram que a sonorização podia ser ouvida a grandes distâncias.
Entre os comentários publicados nas redes sociais estão frases como: “Se escutava o som de trás do cemitério”; “Daqui do Pinheirinho se escutava os cantores”; e “Pra quê um som tão alto, já que não havia tanto público no recinto?”.
Os relatos apontam que o excesso de volume causou incômodo durante as noites do evento e levantou questionamentos sobre a necessidade de uma estrutura sonora dessa dimensão.
Público abaixo da expectativa
Outro ponto que gerou repercussão foi a presença de público em parte da programação.
Imagens divulgadas nas redes sociais mostram momentos em que alguns espaços do recinto apresentavam baixa ocupação, fato que motivou questionamentos sobre o retorno do investimento realizado.
O Encontro de Cowboys, incluído na programação oficial do FEMUS, também foi alvo de comentários. Segundo relatos de participantes e moradores, a atividade ficou abaixo da expectativa de público.
Até o momento da publicação desta reportagem, a Prefeitura de Fartura não havia divulgado um balanço oficial com o número total de visitantes do festival.
Gastos elevados e falta de planejamento
Além das críticas relacionadas ao evento, o principal debate passou a envolver os recursos públicos destinados à sua realização.
Documentos oficiais de empenho da Prefeitura demonstram que dezenas de despesas foram autorizadas durante o mês de julho de 2026 para custear o FEMUS. As despesas incluem contratação de artistas, estrutura, serviços, premiações e demais itens necessários para a realização do festival.
O tema ganhou ainda mais repercussão porque, nesta semana, a Câmara Municipal aprovou um projeto de suplementação orçamentária encaminhado pelo Poder Executivo. A medida foi necessária para reforçar dotações de diversas áreas da administração que haviam sofrido redução orçamentária anteriormente, justamente para viabilizar recursos destinados à realização do FEMUS.
Durante a discussão do projeto, vereadores da oposição afirmaram que a suplementação evidencia falta de planejamento financeiro da Administração Municipal. Segundo eles, recursos retirados de áreas prioritárias precisaram ser recompostos poucos dias depois da realização do evento.
Nas redes sociais, moradores também demonstraram indignação com os valores empregados. Um dos comentários afirmava: “R$ 1.210.000,00 jogados no ralo. E agora, como ficarão a Saúde, a Educação, a Infraestrutura e a Defesa Civil?”.
Questionamentos à gestão do evento
As críticas também alcançaram a condução da política municipal de Cultura e Turismo. Parte da população questiona a atuação do secretário municipal de Cultura e Turismo, André Bertoni, e do presidente do Conselho Municipal de Turismo (COMTUR), Ricardo Massarutti, diante dos resultados apresentados pelo festival.
Até o fechamento desta reportagem, a Administração Municipal não havia divulgado um balanço oficial contendo o público total do FEMUS 2026, os impactos econômicos para o comércio local, o valor consolidado das despesas do evento ou uma avaliação oficial sobre os resultados alcançados pelas atrações.
O espaço permanece aberto para manifestação da Prefeitura de Fartura, da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, do Conselho Municipal de Turismo (COMTUR) e da organização do FEMUS, caso desejem apresentar esclarecimentos sobre os investimentos realizados, os critérios das contratações, os resultados do evento e demais informações que julgarem pertinentes.