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Prefeito diz que Prefeitura tem R$ 20 milhões em caixa, mas quer financiar outros R$ 20 milhões

Declarações do prefeito, documentos oficiais e alertas do Tribunal de Contas ampliam questionamentos sobre a situação financeira da Prefeitura de Fartura

A situação financeira da Prefeitura de Fartura voltou ao centro do debate após declarações do prefeito Marcão do Haras, documentos oficiais apresentados pelo próprio Executivo e alertas emitidos pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP).

Durante entrevista ao Jornal Nova Voz, o presidente da Câmara Municipal, vereador Bruno Guazzelli Durço (PDS), contestou a explicação da Prefeitura sobre a Disponibilidade de Caixa Líquida negativa de aproximadamente R$ 5,9 milhões, registrada no Relatório de Gestão Fiscal referente ao primeiro quadrimestre de 2026.

Segundo o Executivo, o saldo negativo decorre de critérios técnicos da contabilidade pública, relacionados a despesas empenhadas e restos a pagar, não representando falta de recursos financeiros em caixa.

No entanto, para o parlamentar, os próprios documentos oficiais da Prefeitura e os alertas emitidos pelo Tribunal de Contas revelam um cenário que merece maior transparência e atenção da população.

Declaração do prefeito gera questionamentos

Outro ponto que passou a chamar a atenção de vereadores e de parte da população foi uma declaração recente do prefeito.

Durante entrevista à Rádio Nova Voz, Marcão do Haras afirmou que a Prefeitura possui mais de R$ 20 milhões em caixa.

Poucos dias depois, em reunião com os vereadores, a administração municipal informou que pretende encaminhar, no próximo mês, um projeto de lei autorizando a contratação de um financiamento de R$ 20 milhões.

A situação gerou uma pergunta que passou a ser feita por parlamentares e moradores do município:

Se a Prefeitura possui mais de R$ 20 milhões disponíveis em caixa, por que pretende contratar um financiamento de outros R$ 20 milhões, que será pago pelos contribuintes com juros ao longo dos próximos anos?

A estrutura administrativa cresceu

Além do debate sobre a situação financeira, dados do Portal da Transparência demonstram um crescimento significativo da estrutura administrativa desde o início da atual gestão.

Em dezembro de 2024, no encerramento da administração anterior, a Prefeitura possuía 615 servidores ativos, com uma folha de pagamento de aproximadamente R$ 2,8 milhões por mês.

Em maio de 2026, esse número passou para 725 servidores, elevando a folha para aproximadamente R$ 3,7 milhões mensais.

O resultado foi um aumento de cerca de 110 servidores e um crescimento aproximado de R$ 1 milhão por mês nas despesas com pessoal.

Crescimento das despesas

Na avaliação de vereadores da oposição, o cenário atual não decorre apenas de fatores contábeis.

Os parlamentares apontam que, desde o início da gestão, houve:

  • criação de mais de 100 novos cargos na estrutura administrativa;
  • aumento expressivo da folha de pagamento;
  • celebração de contratos de alto valor;
  • realização de eventos milionários;
  • pagamento de elevado volume de horas extras, cuja distribuição vem sendo questionada por parlamentares, principalmente em relação a servidores politicamente ligados ao governo.

Enquanto isso, servidores de áreas essenciais tiveram horas extras reduzidas sob o argumento de contenção de despesas e a própria Prefeitura informou não possuir disponibilidade financeira para restabelecer benefícios suspensos durante a pandemia.

Tribunal de Contas emitiu diversos alertas

Os documentos apresentados pelo vereador Bruno Guazzelli também fazem referência a alertas emitidos pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.

Entre os apontamentos estão:

  • Disponibilidade de Caixa Líquida negativa de R$ 5.931.029,16;
  • arrecadação abaixo da meta prevista, indicando tendência ao descumprimento das metas fiscais;
  • incompatibilidade entre o Resultado Primário previsto na LOA atualizada e a meta estabelecida na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO);
  • necessidade de adoção de medidas em razão do indicador previsto no artigo 167-A da Constituição Federal;
  • alerta emitido com fundamento no artigo 59 da Lei de Responsabilidade Fiscal;
  • apontamento de percentual desfavorável de aplicação dos recursos do FUNDEB, com orientação para adoção das providências previstas na legislação a fim de evitar possíveis sanções administrativas e penais.

Debate continua

Enquanto a Prefeitura sustenta que a disponibilidade de caixa líquida negativa decorre exclusivamente de critérios técnicos da contabilidade pública e afirma possuir recursos suficientes em caixa, vereadores afirmam que os próprios números da administração demonstram um crescimento acelerado das despesas.

Para os parlamentares, o aumento da estrutura administrativa, da folha de pagamento, a criação de novos cargos, os contratos milionários, o elevado pagamento de horas extras e os alertas emitidos pelo Tribunal de Contas reforçam a necessidade de um debate transparente sobre a saúde financeira do município.

A discussão deverá ganhar novos capítulos nas próximas semanas, quando a Prefeitura encaminhar à Câmara Municipal o projeto de lei autorizando a contratação do financiamento de R$ 20 milhões. A proposta deverá ser analisada pelos vereadores, que prometem cobrar explicações do Executivo sobre a necessidade da operação de crédito, diante da declaração pública de que o município possui mais de R$ 20 milhões em caixa.

DOCUMENTOS OFICIAIS SOBRE O ASSUNTO:

AVALIAÇÃO 1 QUD PREFEITURA

 

COMUNICADO-SDG-36-2026- Alertas 2 Bimestre_disponibilizado no dia 07 de julho de 2026