Grupo de moradores da Rua Henrique Lucarelli afirma ser favorável às moradias populares, mas critica a falta de transparência da Prefeitura e promete recorrer à Justiça caso não seja aberto um canal de diálogo.
Moradores da Rua Henrique Lucarelli, em Fartura, iniciaram uma mobilização para cobrar mais transparência e participação popular no processo que resultou na aprovação do Projeto de Lei Complementar nº 15/2026, que alterou a destinação de uma área verde pública para a implantação de um empreendimento habitacional de interesse social.
Segundo os moradores, a mobilização não é contra a construção de moradias populares, mas contra a forma como a Administração Municipal conduziu todo o processo. Eles afirmam que uma decisão que impactará diretamente o bairro foi tomada sem diálogo com a comunidade, sem audiência pública e sem que os moradores tivessem acesso prévio aos estudos técnicos que embasaram a proposta.
Nos próximos dias, o grupo protocolará requerimentos na Prefeitura e na Câmara Municipal, solicitando cópias de pareceres técnicos, jurídicos e urbanísticos, documentos ambientais, manifestações do Conselho Municipal do Plano Diretor e esclarecimentos sobre os fundamentos legais utilizados para dispensar a participação popular durante a tramitação do projeto.
“O problema nunca foi a construção de casas populares. O que questionamos é por que uma decisão que altera uma área verde ao lado das nossas residências foi tomada sem ouvir quem será diretamente afetado”, afirmam representantes da mobilização.
Os moradores também solicitarão informações sobre os estudos que justificaram a escolha da área, eventuais licenças ambientais, autorizações para a supressão da vegetação, pareceres técnicos e demais documentos que fundamentaram a decisão da Administração Municipal.
Para o grupo, a maior falha do processo foi a ausência de diálogo com a população.
“Uma decisão dessa importância deveria ter sido discutida com os moradores antes de ser encaminhada para votação. O desenvolvimento da cidade não pode acontecer sem transparência e participação popular. Quem será diretamente afetado merece ser ouvido.”
Além dos pedidos de informação, os moradores defenderão a realização de uma audiência pública para que a Prefeitura apresente os estudos técnicos que embasaram o projeto e permita que moradores, especialistas e representantes dos órgãos competentes debatam os impactos urbanísticos, ambientais e sociais da proposta.
Segundo os organizadores da mobilização, ouvir a população não significa impedir o desenvolvimento da cidade, mas fortalecer as decisões públicas por meio do diálogo.
“Não somos contra o empreendimento. Somos contra a falta de diálogo. Se a Prefeitura tivesse chamado os moradores para apresentar o projeto, explicar os estudos realizados e ouvir sugestões da comunidade, provavelmente esse debate estaria acontecendo de outra forma. Infelizmente, a população só tomou conhecimento da mudança quando ela já havia sido aprovada.”
Os requerimentos deverão ser protocolados ainda nesta semana. Os moradores aguardam que a Prefeitura e a Câmara Municipal respondam aos questionamentos e abram um canal de diálogo com a comunidade.
Caso isso não aconteça, o grupo afirma que recorrerá ao Poder Judiciário para buscar a suspensão de eventuais intervenções na área, especialmente o corte de árvores e o início das obras, até que sejam esclarecidos todos os aspectos técnicos, urbanísticos e ambientais relacionados ao projeto.
Para os moradores da Rua Henrique Lucarelli, a implantação de moradias populares pode e deve caminhar ao lado da transparência, da participação popular e do respeito à legislação.
“O que pedimos é simples: diálogo. A Prefeitura decidiu, a Câmara aprovou, mas ninguém ouviu quem mora ao lado da área. Ainda há tempo para corrigir isso e construir uma solução com transparência e respeito à população.”




