O chamado “caso da sucata” envolvendo a retirada de materiais recicláveis da Chácara Municipal de Fartura mobilizou vereadores, gerou desdobramentos políticos e pode resultar na instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal na próxima sessão ordinária.
O caso veio à tona após denúncias de que materiais considerados sucateados e pertencentes ao patrimônio público teriam sido retirados do local sem os procedimentos legais exigidos, como avaliação e leilão público. O episódio levou à exoneração do então secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Paulo César Corrêa Custódio, conhecido como Paulo Surubi.
Divergências entre vereadores
O debate entre os vereadores começou após o vereador Luiz Timburi (PSDB) protocolar um pedido de CPI, posteriormente retirado. Ainda assim, a proposta ganhou força e deverá ser retomada com apoio de outros parlamentares.
O presidente da Câmara, Bruno Guazzelli Durço (PSD), ainda não se manifestou oficialmente sobre o tema. Já o vereador Sildemar Fabro (PL) declarou que uma sindicância interna foi instaurada para apuração dos fatos, e que o Legislativo está tratando o caso com seriedade. “Não estamos nos guiando por redes sociais ou denúncias anônimas”, afirmou.
Henrique Lucarelli (PT) também se manifestou, ressaltando que o início da apuração por meio de sindicância é válido e que outras medidas poderão ser adotadas caso as respostas não sejam satisfatórias.
Por outro lado, João Buranello (PSDB) foi enfático ao defender a necessidade de investigação parlamentar mais ampla, alegando haver indícios e documentos que comprovam que a sucata retirada da Chácara Municipal foi posteriormente levada ao estado do Paraná e vendida.
Secretário teria admitido responsabilidade
Segundo informações recebidas por vereadores e confirmadas por fontes próximas à Câmara, o ex-secretário Paulo Surubi teria admitido ter autorizado a retirada do material, ação executada pela empresa Sasho Comércio de Sucatas Ltda., de propriedade do empresário Luiz Sasho, conhecido como “Japonês do Ferro-Velho”.
O empresário também confirmou ao jornalista Luiz Rogério Alvarenga que recolheu a sucata com autorização da gestão municipal. De acordo com ele, ações semelhantes teriam ocorrido em administrações anteriores. No entanto, novas informações sugerem que a carga inicialmente retirada não é a mesma que se encontra hoje armazenada no antigo Matadouro Municipal — para onde uma nova carga de material prensado foi levada dias após o início da repercussão pública do caso.
Falta de documentação pode configurar irregularidade
Não há, até o momento, documentação oficial que comprove a legalidade da retirada do material. Conforme relatado por Rogério, proprietário da empresa Rei do Ferro, sediada em Carlópolis (PR), não foi exigida nota fiscal ou qualquer comprovação da origem da sucata no momento da venda feita pela empresa de Luiz Sasho. A ausência de documentação pode configurar ato de improbidade administrativa, com possíveis sanções legais se comprovada a responsabilidade de agentes públicos.
Possível conotação político-eleitoral
Além das suspeitas administrativas, o caso também ganhou contornos políticos. Luiz Sasho é apontado por adversários como apoiador da chapa eleita em 2024, liderada pelo prefeito Marcão do Haras e pela vice-prefeita Célia do Zé (PSD). A proximidade entre o empresário e a campanha eleitoral levanta questionamentos sobre eventuais favorecimentos políticos, hipótese que será averiguada caso a CPI seja instalada.
Expectativa por posicionamento oficial
Até o momento, o prefeito Marcão do Haras não comentou publicamente os desdobramentos do caso. A Câmara Municipal, por sua vez, enfrenta pressão por parte da população e de membros da sociedade civil para conduzir as investigações com transparência. Parlamentares da oposição e da base governista serão observados de perto quanto ao seu posicionamento.
Ministério Público é acionado
Segundo apuração, uma denúncia formal foi apresentada ao Ministério Público de Fartura, apontando possíveis práticas de improbidade administrativa, enriquecimento ilícito e lesão ao erário. O documento solicita ainda que a Promotoria encaminhe os fatos ao Legislativo para a adoção das providências cabíveis.
Caso a CPI seja oficialmente instaurada, este poderá ser o primeiro grande teste da atual legislatura no campo da fiscalização do Executivo municipal.
A reportagem segue acompanhando os desdobramentos do caso e permanece à disposição para ouvir todas as partes envolvidas.