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PSDB expulsa vereador Luiz Timburi e anuncia ação na Justiça Eleitoral para reivindicar cadeira na Câmara de Fartura

O Diretório Municipal do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) de Fartura decidiu, por unanimidade, expulsar o vereador Luiz Martins de Oliveira, conhecido politicamente como “Luiz Timburi”, dos quadros da legenda. A decisão foi oficializada após procedimento interno conduzido pelo Conselho de Ética do partido e posteriormente ratificada pela Executiva Municipal.

Segundo documentos obtidos pelo portal Notícias da Divisa, o processo disciplinar teve como base o relatório final da Comissão Processante instaurada na Câmara Municipal, as perícias realizadas pela Polícia Civil e outros fatos considerados pelo partido incompatíveis com os princípios éticos, disciplinares e estatutários da sigla.

O parecer do Conselho de Ética concluiu pela aplicação da penalidade máxima, apontando quebra de confiança, desgaste institucional e condutas consideradas lesivas à imagem pública do PSDB. A recomendação foi acolhida integralmente pela Executiva Municipal em reunião realizada no último dia 7 de maio.

De acordo com a direção municipal do partido, o vereador foi regularmente notificado durante todas as etapas do procedimento interno. Ainda conforme os autos, houve recusa no recebimento da notificação formal, bem como manifestação expressa de que não apresentaria defesa, fatos posteriormente certificados e anexados ao processo partidário.

Após a formalização da expulsão, o PSDB também comunicou oficialmente a decisão à Câmara Municipal de Fartura, à Justiça Eleitoral e à direção estadual da legenda.

Relembre o caso

O caso envolvendo o vereador Luiz Timburi teve início na noite de 20 de agosto de 2025, após uma abordagem da Polícia Militar realizada durante patrulhamento em Fartura. Na ocasião, os policiais interceptaram o vereador conduzindo um VW Fusca com sinais de adulteração nas placas de identificação, que apresentavam modificações feitas com fita isolante.

Durante a abordagem, foram encontradas 45 placas de grama no interior do veículo. Questionado, o vereador alegou que a grama teria sido retirada de sua própria propriedade rural para replantio, além de afirmar desconhecer a adulteração nas placas do automóvel.

Diante das suspeitas, os policiais seguiram até o sítio do parlamentar, onde não encontraram indícios recentes de retirada de grama. Paralelamente, já havia registro anterior de furto de placas de grama pertencentes ao DER, retiradas das margens da Rodovia SP-287, nas proximidades da Vila Nossa Senhora de Fátima.

Posteriormente, perícia e investigações da Polícia Civil apontaram compatibilidade entre a grama apreendida com o vereador e a vegetação furtada da área sob responsabilidade do DER. Os investigadores também identificaram áreas recentemente cobertas com placas de grama na propriedade rural do parlamentar.

O caso gerou forte repercussão política no município e culminou na abertura de Comissão Processante na Câmara Municipal. Ao final dos trabalhos, o relator, vereador Juliano Damásio, opinou pela cassação do mandato parlamentar. Contudo, o parecer foi rejeitado pelos vereadores Toninho do Batista, Léo Maia, Henrique Lucarelli, Anderson Lima e Bruno Guazzelli. O episódio também motivou a instauração de procedimento disciplinar interno no PSDB, resultando na expulsão do vereador da legenda.

Partido vai à Justiça Eleitoral

Além da expulsão partidária, o PSDB confirmou ao Notícias da Divisa que ingressará com ação na Justiça Eleitoral buscando a perda do mandato parlamentar de Luiz Timburi e a consequente retomada da cadeira pela legenda.

A estratégia jurídica do partido será fundamentada na tese de fidelidade partidária e no entendimento de que o mandato proporcional pertence ao partido político, e não individualmente ao parlamentar eleito.

Internamente, dirigentes do PSDB avaliam que o rito adotado durante o processo disciplinar foi conduzido de forma “rigorosamente estatutária”, justamente para sustentar eventual discussão judicial futura.

A ação deverá ser protocolada nos próximos dias, após a consolidação e juntada final de toda a documentação produzida pelo Conselho de Ética e pela Executiva Municipal.

Até o fechamento desta matéria, o vereador Luiz Timburi não havia se manifestado publicamente sobre a expulsão e sobre a futura ação judicial anunciada pelo partido.