Em nota enviada a vereadores e autoridades locais, trabalhadoras da Rodrigo F. Martine Empreendimentos Ltda. relatam dois vales atrasados e pressão para pedir demissão. Empresa foi contratada emergencialmente para executar linhas do transporte rural.
Monitoras da Rodrigo F. Martine Empreendimentos Ltda., empresa contratada pela Prefeitura de Fartura, encaminharam a vereadores e autoridades locais uma nota com denúncias sobre suas condições de trabalho. O documento relata dois vales atrasados, ameaças, humilhações e cobrança de tarefas que, segundo elas, não fazem parte das funções para as quais foram contratadas.
As trabalhadoras afirmam que a justificativa apresentada para o atraso dos vales é a falta de pagamento da Prefeitura à empresa. Segundo apurado pelo Notícias da Divisa, o último pagamento municipal à contratada ocorreu em 30 de setembro.
Além da questão financeira, as monitoras relatam exigência de limpeza de vans e escritórios, dificuldades com a aceitação de atestados médicos e pressão para pedir demissão, associada à cobrança de trabalho aos sábados.
No documento, elas deixam claro que desejam continuar empregadas, mas pedem respeito, condições dignas e o recebimento dos valores pendentes.
CONTRATAÇÃO EMERGENCIAL LEVANTA QUESTIONAMENTOS SOBRE PLANEJAMENTO
O Contrato nº 314/2026, cujo extrato é datado de 1º de setembro de 2026, prevê a execução de linhas rurais com vans de capacidade mínima de 19 lugares, incluindo veículos, motoristas e monitores. A contratação emergencial tem vigência de até seis meses, sem prorrogação.

Segundo informações apuradas pelo portal, o processo licitatório anterior não foi concluído em meio a questionamentos e indícios de irregularidades apontados pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.
O cenário coloca em xeque o planejamento da gestão do prefeito Marcão. Por se tratar de um serviço essencial e de necessidade previsível, a Prefeitura precisa explicar por que não concluiu a licitação a tempo e quais providências tomou diante dos problemas apontados.
A contratação emergencial exige acompanhamento rigoroso. As denúncias das profissionais que atuam no serviço tornam ainda mais necessária uma resposta pública sobre a execução e a fiscalização desse contrato.
EMPRESA E PREFEITURA PRECISAM RESPONDER
A empresa precisa esclarecer os atrasos relatados e responder às denúncias sobre o tratamento dispensado às funcionárias. À Prefeitura cabe explicar a situação dos repasses, como acompanha o serviço e quais medidas adotará para apurar as reclamações.
Se os pagamentos municipais estão em dia, a contratada precisa explicar por que, segundo as monitoras, atribui à Prefeitura o atraso dos vales. Se existem pendências, a administração deve informar os motivos e as providências para regularizá-las.
As trabalhadoras não podem ficar sem respostas enquanto as responsabilidades são empurradas de um lado para outro. O apelo encaminhado às autoridades exige apuração e providências concretas.
O Notícias da Divisa mantém espaço aberto para manifestações da Rodrigo F. Martine Empreendimentos Ltda., da Prefeitura de Fartura e dos demais envolvidos sobre os fatos relatados nesta reportagem.
Confira a nota das trabalhadoras na íntegra:
UM GRITO DE SOCORRO POR RESPEITO E DIGNIDADE!
Nós, trabalhadoras da empresa Rodrigo Martine, estamos cansadas de tanta humilhação e falta de respeito no nosso ambiente de trabalho.
Trabalhamos como monitoras, mas, além das nossas funções, todos os dias somos obrigadas a limpar as vans, que muitas vezes chegam muito sujas, limpar escritórios e realizar serviços que não fazem parte daquilo para que fomos contratadas.
Estamos com dois vales atrasados, e a justificativa que recebemos é que a Prefeitura não pagou a empresa. Mas será que alguém pensa em nós? Como ficam nossas famílias? Como vamos comprar comida, pagar nossas contas e manter nossas casas?
Além disso, há problemas com a aceitação de atestados médicos. Quando precisamos cuidar da nossa saúde, também enfrentamos dificuldades.
Vivemos sob pressão, ameaças e humilhações. Agora querem que trabalhemos aos sábados e, junto com essa cobrança, vêm as ameaças para que todas nós peçamos a conta e saiamos por vontade própria, perdendo nossos direitos.
Até quando vamos ter que suportar tudo isso para não perder nosso emprego?
Não somos máquinas! Somos mulheres, mães, filhas, pessoas que têm responsabilidades e famílias para sustentar. Saímos de casa todos os dias para trabalhar honestamente, não para sermos humilhadas, ameaçadas ou desrespeitadas.
Se a Prefeitura não pagou a empresa, isso não pode ser usado como justificativa para deixar os trabalhadores sem seus vales. Nós não temos culpa dessa situação!
Queremos apenas receber o que é nosso, ter nossos direitos respeitados e trabalhar em paz, sem medo de ameaças.
Pedimos socorro às autoridades, à Prefeitura e a todos que possam nos ajudar. Nossa voz precisa ser ouvida!
TRABALHADOR NÃO É ESCRAVO! RESPEITO NÃO É FAVOR, É DIREITO!
Não queremos sair do nosso emprego. Queremos condições dignas para continuar trabalhando e levando o sustento para nossas famílias.