O Tayayá Resort, empreendimento turístico localizado no município de Ribeirão Claro, passou a ser controlado por um advogado que atua para a JBS, empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista. O resort teve, até recentemente, participação societária de irmãos e de um primo do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. O novo controlador é o advogado goiano Paulo Humberto Costa, que presta serviços jurídicos à JBS desde 2008. Segundo o próprio advogado, a compra das participações pertencentes aos familiares do ministro ocorreu por meio de transações iniciadas em dezembro de 2024 e concluídas em setembro de 2025, resultando na transferência da titularidade do empreendimento. Além da atuação na advocacia, Costa é sócio da Petras Participações, empresa privada que atua no ramo de aluguel de aeronaves. O quadro societário da companhia inclui Renato Costa, executivo da Friboi, e Gabriel Paes Fortes, genro do irmão mais velho dos controladores da JBS. O advogado afirmou que a Petras não possui relação com a JBS e que os sócios são amigos pessoais, para os quais também presta serviços advocatícios. Dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) indicam que, em outubro de 2025, o Tayayá Resort recebeu um aporte de R$ 4,3 milhões por meio do Arleen Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia. O fundo é administrado pela Reag Investimentos, gestora citada em investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Carbono Oculto, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo estruturas financeiras ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A Reag também é mencionada por investimentos anteriores na DGEP Empreendimentos, empresa que já teve como sócio Mario Umberto Degani, primo do ministro Dias Toffoli. Paulo Humberto Costa confirmou que iniciou sua atuação para a JBS na área de consultoria tributária e que o escritório do qual é sócio possui mais de 100 clientes, mantendo atualmente apenas “alguns poucos” processos da empresa. Segundo ele, em outubro de 2025, a JBS informou que não encaminharia novos casos ao escritório, em razão de sua maior dedicação a atividades empresariais. Em nota, o advogado afirmou que seu investimento no Tayayá Resort está ligado a um projeto de expansão, com a proposta de transformar o empreendimento em um dos maiores complexos turísticos e de lazer da região. Ele declarou ainda conhecer o ministro Dias Toffoli, mas negou qualquer relação comercial com o magistrado. A JBS, por sua vez, informou que o escritório do advogado atuou em ações da empresa no estado de Goiás e ressaltou que nem a companhia nem seus acionistas mantêm relação com as empresas mencionadas ou com outros negócios do advogado. Conexões apontadas por reportagens Reportagens publicadas pelos jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo apontaram que os irmãos do ministro Toffoli, José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, venderam uma participação considerada milionária no Tayayá Resort a fundo ligado à Reag Investimentos. O ministro não possui participação direta no empreendimento, embora frequente o local, segundo as apurações. Além dos irmãos, ao menos um primo do magistrado também integrou o quadro societário do resort em período anterior. A Folha de S. Paulo destacou ainda que o Arleen Fundo de Investimentos manteve participação na Tayayá Administração e Participações, empresa responsável pelo resort, e também na DGEP Empreendimentos, incorporadora imobiliária sediada na mesma região. Segundo a reportagem, as empresas compartilhavam endereço comercial e apresentavam histórico societário semelhante, com a presença de familiares do ministro. De acordo com a apuração, a ligação do Arleen com o chamado caso Banco Master ocorre por meio de uma cadeia de fundos de investimento. O Arleen figurava como cotista de fundos que receberam recursos associados ao Banco Master, instituição que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro, após suspeitas de irregularidades na emissão e negociação de títulos de crédito. Apesar das conexões descritas, as reportagens ressaltam que o Arleen Fundo de Investimentos não é alvo direto das investigações. Relatoria no STF Dias Toffoli é o relator, no Supremo Tribunal Federal, do inquérito que apura as irregularidades envolvendo o Banco Master. Segundo a Folha, o ministro decretou sigilo sobre a investigação no fim do ano passado, após a apresentação de recursos por advogados dos investigados. Procurados, o ministro Dias Toffoli, seus familiares citados, representantes das empresas mencionadas e a gestora Reag Investimentos não se manifestaram até o fechamento das reportagens. A defesa de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, negou irregularidades e afirmou que não houve operações ilícitas ou destinadas a beneficiar terceiros. Fonte: CNN Brasil